sábado, 8 de março de 2008

A falta de exercício "mata" o coração

A inactividade física é reconhecida hoje, como importante factor de risco para doenças cardiovasculares. Embora não possa ser considerado potente factor de risco, como tabagismo, hipertensão arterial e hipercolesterolémia (taxa de colesterol sanguínea aumentada), é muito importante pois atinge percentagem muito elevada da população.

A prática de exercício físico regular é aconselhada pela comunidade científica a fim de preservar o bem-estar físico, psíquico e social das populações, com particular ênfase nos países mais industrializados.


Nas doenças cardiovasculares, a actividade física é muito importante, pois interfere no controlo de múltiplos factores de risco dessas doenças, tais como em situação de: hipertensão arterial; tabagismo; stress; excesso de peso/obesidade; diabetes e hipercolesterolémia.

Conselhos práticos

A Fundação Portuguesa de Cardiologia, gostaria de lhe fornecer alguns conselhos práticos no que respeita a actividade física regular, na prevenção primária das doenças cardiovasculares:


  1. O exercício físico regular não significa apenas actividade desportiva, de lazer, ou competitiva, mas também outras actividades diárias, como por exemplo, relacionadas com certas áreas de trabalho manual (jardinagem, "bricolage", actividades profissionais mais activas, etc.), subir e descer escadas não utilizando o elevador, marcha na rua (indo a pé para o emprego) descer na paragem do autocarro anterior á habitual.

  2. A actividade física, para ter repercussões em termos de prevenção primária das doenças cardiovasculares, deverá ter as seguintes características:
    - Ser praticada pelo menos três vezes por semana.
    - Cada sessão ter, pelo menos, a duração de 20 minutos.
    - O exercício fisico deve solicitar múltiplos grupos musculares dos membros e do tronco.
    - Actividades físicas moderadas e prolongadas no tempo são as mais eficazes. São delas exemplos ideais: marcha rápida; corrida; ciclismo; natação; dança de salão e a aeróbica; ginástica de manutenção, etc.
    - A duração e a frequência da actividade física devem aumentadar lenta e progressivamente.
    - A execução do programa de exercício físico deve ser continuada, de pouco servindo actividades isoladas no tempo.

  3. A actividade física deve ser adaptada à idade e a outros condicionalismos do indivíduo. Em idades jovens, podem ser de carácter competitivo, pois em geral, quanto maior for a sua intensidade em termos de duração e frequência maiores serão as repercussões orgânicas em termos cardiovasculares. Em indivíduos acima dos 35 anos, os exercícios devem ser, sobretudo de carácter não competitivo e encaradas como forma de lazer. Actividades físicas muito intensas em indivíduos de escalões etários superiores, podem não estar indicadas.

  4. Os programas devem iniciar-se na infância, para se obterem melhores resultados, no entanto nunca é tarde para começar!

  5. O facto do indivíduo ter praticado desporto ou exercício fisíco intenso na sua juventude não lhe concede protecção contra doenças cardiovasculares, se deixar de realizar actividade física e/ou se estiver sujeito a outros factores de risco.

  6. Antes de iniciar qualquer programa de exercício deve ser realizado exame médico prévio, qualquer que seja a idade do indivíduo em causa.

  7. O médico especializado em actividade física ou o licenciado em educação física são os conselheiros ideais para ajudar a escolher a actividade mais adequada, em cada individuo em particular.

Um programa de actividade física regular e bem elaborado será muito importante na prevenção das doenças cardiovasculares, com repercussões positivas na qualidade de vida das populações. Contudo, como sempre, é necessário bom senso e moderação, não esquecendo que "Se uma colher de xarope faz bem, duas poderão fazer mal".


Artigo publicado pelo Dr. Luís Horta no site da Fundação Portuguesa de Cardiologia

Sem comentários: